Buenos Aires é aquele destino que surpreende logo de cara. Com parques bem arborizados, cafés charmosos e avenidas largas, a cidade foi projetada para ser a Paris do Sul, e a gente vê essa influência claramente na arquitetura do centro.
Além de ser um destino fácil e excelente para a primeira viagem internacional de muitos brasileiros, a capital portenha respira história, tango e uma gastronomia sensacional. Abaixo, você confere o nosso guia completo para planejar a sua viagem do zero.
Nós estivemos lá em março de 2026 com a Isabela, de 1 aninho, então você vai encontrar aqui não apenas os preços reais e atualizados que pagamos, mas também a visão de quem fez esse roteiro no ritmo de família.
Quer um resumão em vídeo antes de continuar? Assista ao nosso guia focado em planejamento: Como planejar uma viagem para a Argentina.
1. Planejamento rápido: o que resolver antes de viajar
Para não passar perrengue ou gastar mais do que deveria, resumimos os quatro passos fundamentais para a sua viagem:
Seguro saúde obrigatório: desde 2025 o seguro saúde passou a ser obrigatório para turistas entrarem na Argentina, correndo o risco de barragem na imigração. Nós usamos a SafetyWing, que cobre até 250 mil dólares e oferece cobertura gratuita para crianças até 10 anos.
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Qual moeda levar: o câmbio paralelo (“Dólar Blue”) praticamente morreu. A cotação dos cartões internacionais está igual à das ruas e é muito mais segura. Centralize tudo em um cartão multimoedas como a Wise. A grande vantagem é que você paga apenas 1,1% de IOF usando a estratégia certa — explicamos o passo a passo neste vídeo aqui.
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Internet desde o pouso: a lei do roaming gratuito do Mercosul ainda é muito instável na prática. Para não ficar sem GPS ou Uber na chegada, saia do Brasil com um eSIM garantido. Nós usamos um chip da Holafly que funcionou perfeitamente desde o momento em que o avião pousou.
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Como sair do aeroporto: a opção mais confortável é fechar um transfer. Nós fomos com a RR Translados, que é de brasileiros e facilita muito a comunicação.
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2. Como se locomover em Buenos Aires

O transporte público funciona muito bem. O metrô (conhecido como Subte) te leva para quase todos os pontos turísticos e é extremamente fácil de usar: você não precisa comprar bilhete, basta aproximar o seu cartão da Wise direto na catraca e a passagem é liberada.
🛑 Atenção para quem viaja com bebê: o metrô de Buenos Aires tem pouquíssima acessibilidade. Na maioria das estações, tivemos que dobrar o carrinho várias vezes e descer lances longos de escada carregando a Isabela no colo e o carrinho na mão. Vá preparado para esse esforço físico!

Para bairros onde o metrô não chega, como o Caminito (La Boca), o Uber é a melhor saída. É barato e muito seguro. Uma corrida de quase meia hora do bairro de Palermo até o Caminito nos custou apenas 7.476 pesos (~R$ 27).
3. Onde se hospedar
Escolher o bairro certo dita o ritmo da sua viagem. As melhores opções são:
Palermo Soho (foi onde a gente ficou e recomenda!): a melhor região se você gosta de fazer tudo a pé. Em volta da Plaza Armênia, as ruas são cheias de lojas modernas, grafites, sorveterias e os melhores cafés e bares da cidade.
Recoleta: um bairro de alto padrão, clássico, muito arborizado e com excelentes opções gastronômicas. É um pouco mais calmo que Palermo.
Centro: ideal se o foco for economia extrema ou proximidade imediata com o Obelisco. Por ser uma área comercial, a região fica bem vazia e com poucas opções à noite.
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4. O que fazer em Buenos Aires: roteiro de 3 a 5 dias
Um roteiro de 3 dias inteiros é suficiente para cobrir todos os pontos principais se você tiver um ritmo padrão de viagem. Como estávamos com bebê, o ritmo cai bastante, então fizemos esse mesmo trajeto com tranquilidade ao longo de 5 dias. Ajuste conforme o seu estilo!
Dia 1: o coração histórico e Puerto Madero
Comece pela imponente Plaza de Mayo, o centro político da Argentina, onde fica a Casa Rosada e a Catedral Metropolitana. Do outro lado, visite o Museu del Cabildo (entrada gratuita). Pesquise antes de ir, pois os argentinos são muito engajados politicamente e a praça é o ponto oficial das manifestações.
Siga caminhando até o Obelisco, na Avenida 9 de Julho. A dica de ouro aqui é fugir da fila gigante para tirar foto nas letras de Buenos Aires: atravesse a rua em direção à base da polícia turística, pois lá existe um mirante gratuito que te dá a melhor vista panorâmica do monumento inteiro.

Passeie pela Plaza Lavalle para admirar o Teatro Colón e, à tarde, percorra o calçadão comercial da Calle Florida até a Galeria Pacífico, um shopping com uma cúpula central lindíssima pintada em 1946.
Finalize o dia caminhando por Puerto Madero. A região é hoje o metro quadrado mais caro da Argentina, mas nasceu como um projeto de porto que logo ficou obsoleto e foi abandonado por décadas, sendo revitalizado só nos anos 90. É o lugar ideal para um jantar mais caprichado ou para curtir a noite.
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Dia 2: cultura, cores e a Flor Gigante
Pegue um Uber direto para o bairro de La Boca para conhecer o Caminito.
A história do Caminito
O cartão-postal mais colorido da cidade guarda a história dos imigrantes italianos que chegaram para trabalhar no porto e viveram ali em cortiços de chapa de zinco chamados conventillos. O lugar virou até lixão por décadas, até que em 1950 foi revitalizado por um artista local e todo pintado com restos de tinta de navios, tornando-se o polo turístico que é hoje.
A menos de 5 minutos dali fica La Bombonera, o estádio do Boca Juniors. A entrada para o museu e o tour custa 32.000 pesos (~R$ 115) por pessoa.
Saindo de lá, pegue outro Uber em direção à Livraria El Ateneo Grand Splendid, eleita uma das mais bonitas do mundo por funcionar dentro de um teatro incrível de 1919.
No final da tarde, caminhe pelo bairro da Recoleta até a Faculdade de Direito. Ao lado fica a Floralis Genérica, uma escultura metálica de mais de 20 metros que se move de acordo com a posição do sol.
Se você curte gastronomia, aproveite a região para fazer uma degustação guiada de mate ou uma aula de culinária argentina com reconhecimento Michelin!
Dia 3: o domingo clássico

Se você estiver na cidade no domingo, a atração imperdível é a Feira de San Telmo. Chegue por volta das 11h, quando as ruas ainda não estão tão lotadas. No caminho, você vai encontrar a famosa Estátua da Mafalda, que nasceu ali mesmo, onde seu criador (Quino) morava e se inspirava na vizinhança para criar suas críticas sociais.
Para o almoço, vá ao belíssimo Mercado de San Telmo (um pavilhão de ferro de 1897) e chegue antes do horário de pico para comer o clássico choripán. Por falar em comida, aqui vai a nossa lista de favoritos com preços reais.
5. Onde comer em Buenos Aires (com preços reais!)
Aqui vão os lugares que testamos, aprovamos e os valores exatos que pagamos em março de 2026:
Santos Manjares (Centro): pedimos empanadas, uma provoleta sensacional na chapa quente, um bife de chorizo gigante para dividir, vinho e água. Total: 82.280 pesos (~R$ 304).

Pertutti (Recoleta): fica perto da Livraria El Ateneo. Pedimos lasanha, ravióli, água e uma taça do vinho da casa que era praticamente do tamanho de um balde! Total: 62.260 pesos (~R$ 230, já com os 10% do garçom).
La Choripaneria (Mercado de San Telmo): parada obrigatória para comer o choripán (sanduíche de linguiça com molho chimichurri). Pedimos 2 lanches, cerveja e água. Total: 36.900 pesos (~R$ 137).
El Club de la Milanesa (Palermo Soho): pedimos uma milanesa de fugazzeta (queijo com cebola por cima da carne), acompanhada de purê, vinho e água com gás. Total: 28.080 pesos (~R$ 103).
Rapanui: a rede de chocolates deliciosos que criou o Franui. Tudo lá é gostoso, inclusive o sorvete, que custou 6.800 pesos (~R$ 25).
FAQ: dúvidas frequentes sobre Buenos Aires
Precisa de visto ou passaporte para Buenos Aires?
Não. Como Brasil e Argentina fazem parte do Mercosul, os brasileiros podem entrar no país portando apenas o RG em bom estado de conservação, sem necessidade de passaporte ou visto.
Qual a melhor época para ir a Buenos Aires?
As melhores épocas são a primavera (setembro a novembro) e o outono (março a maio). Nesses meses, as temperaturas são agradáveis, perfeitas para bater perna o dia todo sem derreter ou congelar. O verão (dezembro a fevereiro) costuma ser extremamente quente e úmido, deixando os passeios ao ar livre bem cansativos. Já o inverno (junho a agosto) tem o seu charme se você gosta de frio e de tomar um bom vinho, mas vá preparado com casacos pesados.
Buenos Aires é uma cidade segura?
Nas regiões turísticas e bairros que visitamos, nos sentimos bem seguros e notamos bastante policiamento. É uma cidade tranquila para turistas, mas exige os mesmos cuidados básicos de atenção com celular e pertences que teríamos em qualquer grande capital do Brasil.
Quantos dias é o ideal para ficar em Buenos Aires?
Para cobrir os principais pontos turísticos sem muita correria, 3 dias inteiros são ideais. No entanto, se você gosta de um ritmo mais lento ou viaja com crianças pequenas, recomendamos esticar para 5 dias para fazer tudo com tranquilidade.
🎬 Quer ver tudo isso na prática?
A gente gravou absolutamente tudo (preços, perrengues nas escadarias do metrô e o visual dos pratos que comemos).